17 de set. de 2007

Operação Cortiço






Biofa e Pique
da série Subversão dos Meios
Ilustrações e instalação.
Bela Vista - SP
2007

Relato

Em plena manhã de um sábado, cujo sol castigava nossa pele com UV-A e UV-B e outros raios mais, estavamos nós, na Bela Vista, região central da cidade mais rica do país, para a primeira ação em fusão.
Biofa passou aqui em casa lá pelas 9 hrs e 27 min. Fomos em direção ao centro qndo o bairro da Bela Vista nos chamou atenção.
- É aqui mesmo, heim mano? soltou Biofa com entusiasmo. Concordei.
O bairro da Bela Vista é um bairro cheio de histórias. É um Lugar pobre com muitos cortiços, pessoas esquecidas, marginalizadas, crianças ao monte e gente de estirpe duvidosa.
A arquitetura, ora moderna, ora antiga faz uma nuance bem caracteristica daquela região.
De primeira entramos numa rua onde cortiços tombados pelo Patrimônio Histórico nos chamaram à atenção. Deteriorados pela ação do tempo e descuido do homem necessitavam cuidado. Era onde nós entravamos.
Demos uma volta pelos arredores e depois voltamos à esses cortiços.
Fomos até a porta do cortiço, que conurbava com mais três, trocar idéia com alguém pra poder fazer o trampo.
Falamos com umas 5 pessoas. cada uma jogava a responsa de autorizar a ação pr'um tal de Marcão, que dormia num quarto cuja porta era esmurrada por uma das colegas, que também aos berros o chamava pra conversar conosco. Marcão nem deu sinal de vida.
Foi quando apareceu Maria, uma senhora de estatura baixa, cabelos alvos por decorrencia do tempo preso por um "tic-tac" amarelo e camiseta vermelha com uma estrela do PT:
-Olha, moro aqui há 25 anos! aqui ninguém paga aluguel. Cada um cuida do seu quarto e tá tudo certo. Só pagamos água e luz. Continuou.
Maria foi a pessoa que deu-nos o aval pra que o trabalho fosse executado.
Começamos o nosso trampo aos berros de uma mulher que brigava com uma menina que tinha brigado com a filha dela. A mesma mulher brigava com o suposto ex companheiro aos berros, que depois de tão embriagado deitou-se no meio da via. Carros tiravam finos do indivíduo. Felizmente nada demais aconteceu a ele.
Continuava o dia. O mesmo sol ainda castigava e nos fazia consumir litros d'água.
Muitas, mas muitas crianças nos cercavam curiosas e atonitas com tantos objetos e cores que jogávamos na parede.
A diversão foi o ponto mais alto do dia. Só viamos sorrisos daqueles que estavam(estão) esquecidos, ali, naquele inóspito lugar. Biofa e eu demos algumas horas de alegria pra todos ali. e garanto-lhes que os mais felizes eramos nós.

Agradecimentos à Flavio, Maria, a molecada toda e aos demais que não sabemos o nome.
Pedido de desculpas à Marcão, pelo estardalhaço que vossa colega fez em sua porta.

Valeu Biofa!
Tamo junto, man!

13 de set. de 2007

Novas Experiências






Num lugar onde falta energia elétrica, saneamento básico, higiene e outras cousas mais, vive um grupo de 4 rapazes -mas já moraram 15!- em condições precárias.
o lugar, vulgarmente alcunhado de "Lost" é o reduto de pessoas cujas histórias se fundem em prol de não se gastar capital para a sobrevivência básica. Não pagam aluguel.
A casa foi ocupada há, aproximadamente, 18 anos e o dono tem ciência da ocupação.
Com o intuito de fazer um documentário essas imagens foram captadas.
Dentro de um parâmetro no qual a desigualdade social aflinge 9 entre 10 brasileiros, venho por meio desta experiência registar a vida desses homens e suas dependências.
Até os ratos receberão direitos de imagem.