na sexta feira de carnaval, dia 24 de fevereiro de doismiliseis, pós ter dormido mal num banco de madeira com uma almofada, cuja a expessura era de uns 3 cm, levantei-me e me deparei com uma figura loira, de olhos claros e sorriso encantador: era claude, no portugês claudia, mas a chamavamos de "craudia".
de origem francesa, a mulher cumprimentou-me com um gesto com a mão e o mesmo sorriso citado. logo, me apresentou yannick, seu companheiro nessa viagem pelas bandas do ocidente/novo mundo.
após terem passado por santarém/pa, palmas/to, fortaleza/ce, jõao pessoa/pb, estavam em olinda/pe para o carnaval mais urinado do brasil.
fiquei conversando por alguns minutos com eles. pelo menos tentando. eu esbossava um "portuñol" e ela um "franceñol". nossas risadas é que não tinham lingua. nos entendiamos por elas.
yannick não esbossava uma palavra em outra lingua. apenas em francês. nd se entendia do q ele falava. ser peculiar: olhos de um azul royal, fios prateados em seus negros cabelos, calça de pseudo-artista amarela com detalhes em verde, vermelho e preto, dentes desfalcados nos fundos e uma tatuagem horrorosa na região da barriga. a tatuagem, de traços mto grossos, era a paisagem do gran canion com ocas de índios americanos peles vermelhas, um sol, e um bison (um zebu, em outras palavras) .
pois bem. fomos almoçar: fabio, gi, ju e eu.
após ter voltado de barriga cheia, fui fazer a digestão. foi qndo ficamos na beira da praia, em meio a tratores q jogava pedras na orla pra q o mar não avançasse, cabirus e um vento fortissimo que não deixava os passarinhos voarem contra ele.
com o kaya aceso, surge um homem negro, gorro na cabeça, um cavanhaque q fazia-se uma espécie de dread da altura do queixo até o fim do pescoço, óculos ray-ban (seus traços lembrava, um pouco, o grande mestre cartola) e carregando consigo um balde de alumínio com ostras dentro. pediu-nos um tapa do ganja e ali ficou conosco.
em meio a cachaça com caju e maça, e alguns prensados, perguntei o seu nome e ele me respondeu:
- carango sá. e soltou logo um samba batucando no balde:
-carango sá, carango sá tá botando pra quebrar.
eu, que não sou bobo nem nada, logo comecei a murmurar ruídos de tropetes e trombones com a boca pra acompanhar os sambas q o coroa de 51 anos puxava. era um atrás do outro.
ficamos ali por horas. de três a quatro horas só fumando prensado, tomando a bendita cachaça, conversando "viagens", rindo feito crianças e fazendo sambas. ainda contamos com uma rabeca, q foi tocada por vitinho, muleque q estava hospedado conosco.
após a tentativa desesperada de acender uma pontinha com um cigarro, carango sá afirmou: -morto não acorda morto! referindo-se ao cigarro q tb estava apagado!
a noite caiu. tinhamos q ir e carango sá tb. já vinha andando desde as 11 hras da manhã vendendo as ostras q carregava no balde cujo, nos servia de percussão.
na tentativa de despedida, deu-me um forte abraço, deu-me seu telefone de contato, passou a mão na minha cabeça e disse: - ê menino bom. esse menino é esperto! sorriu com alegria mas não conseguia se despedir.
tinhamos q caminhar sentido cidade alta. ele nos acompanhou até certo ponto. deixou um sorriso de lado, olhou-me nos olhos e partiu.
fiz-lhe a promessa de que iriamos gravar aqueles sambas e nos divertir mto com td aquilo.
promessas prometidas (antíteses dinovo!) tens q ser cumpridas.
volto um dia meu amigo/ídolo carango, pra podermos fazer sambas e sorrir novamente com o sol ofuscando a visão.
30 de ago. de 2006
29 de ago. de 2006
O Resgate
Na casa ao lado, há um casal de evangélicos com dois filhos: um na faixa dos seis anos e o outro de apenas dois meses.
O homem, aparentando uns 41 anos, cabelos prateando as fontes, estatura mediana, toca violino, simpático, trabalha de dia. Sua mulher, com óculos na face, toca órgão, na faixa de uns 38 anos, sem brincos ou penduricalhos que lhe tire a beleza imaculada. Cuida da casa o dia todo.
Na parte de cima da minha casa, há uma sacada, onde, em baixo, situa-se o quintal da casa do casal. Um amplo quintal: comprido, estreitando no final como um pedaço de pizza, encontrando uma churrasqueira de alvenaria. -cujo aproveitávamos, quando a casa encontrava-se vazia, pra fazermos churrasco, bebermos cerveja, falarmos da vida alheia, de musica, arte, política e conversa fiada.
Pois bem, nessa sacada, na qual citei anteriormente estava eu, agora, dando um “tapa na pantera” e pensando na vida, na morte, dentre outros.
À minha frente a linha da Avenida Paulista sentido centro/oeste. Do meu lado direito a serra da Mantiqueira comprova o norte.
De repente a leveza proporcionada pelo principio ativo do Kaya fez com que eu derrubasse o bendito cigarro no quintal da casa!
A parte de baixo da minha casa é no nível do chão da deles, com muro de uns 1,58cm dividindo o quintal do jardim de minha “baia” (como dizem em POA). Fiquei debruçado nesse muro, por mais de 30 min pensando no que fazer. Entre mangueira, uma árvore de louro, bromélias, cannabis sativa, orquídeas, plantas de diversas espécies e formigas que trabalhavam, sem parar, carregando sua matéria orgânica para fim de cultivar fungos pra que possam se alimentar. Isso por cima de meus pés e braços.
A senhora não aparecia por nada pra que eu, com coragem, pudesse pedir-lhe o tal cigarro com a desculpa de que a criança maior dela poderia ver, pegar, pelo constrangimento, pelo respeito. Enfim, eu o queria de volta.
Logo, ela apareceu com o bebê recém nascido, que não parava de chorar a algum tempo, e colocou o carrinho com o menino ao lado do Banza, não me viu e entrou na cozinha. Andava de um lado a outro, e não me via debruçado no muro.
O sol situa-se bem a frente do meu rosto, em direção ao carrinho e a Massa. Saí do local desesperançado.
O bebê chorava. O carrinho já não se encontrava lá. A mulher fazia aqueles ruídos com a boca - jeitinho de falar com criancinha, pra acalmar o garotinho. O Refém continuava lá, gritando por socorro.
Já pensei em pular, mas não saberia onde colocar a cara se a mulher me pegasse dentro do quintal dela atrás de algo ilícito.
Se ela me visse, enquanto debruçado no muro olhando a criança com um ar puro e inocente, eu perguntaria:
- Oh senhora, como está grande o menino! Assim, iniciando uma conversa pra que a coragem de pedir viesse à tona.
Fiquei matutando a idéia de pular alegando uma roupa minha q havia caído, caso ela me flagrasse no quintal da casa dela.
Porém, encanei q a mulher me olhava de algum lugar onde eu não pudesse vê-la...
Logo, voltei ao debruçar no muro olhando em direção a porta da cozinha, com o mesmo sol na face que ainda não se abaixou suficiente e nada de aparecer ninguém.
O tempo que fiquei nessa observação teria dado tempo de pular, caminhar uns quatro, cinco metros e meio até o local do Desamparado, retornar mais uns sete metros, pois o muro fica menor no final do terreno em direção à churrasqueira, e voltar feliz e realizado com a façanha bem sucedida. Mas coragem me faltou, pois ela encontrava-se na parte de baixo da casa.
Quando, de repente, ela apareceu com um saco de lixo na mão. Eu já tava com a idéia de pular e pronto!
Foi quando ela voltou e fechou a porta. Senti um ar de que ela havia me visto olhando pra casa dela e, com medo, fechou a porta. Só pra aumentar minha encanação.
Saí de cena meio desesperado.
Voltei, pois eu não poderia desistir da missão.
Lá fui eu olhar de novo como anda a situação.
Penso em desistir do resgate. Pois, as horas vão passando a vida também...
A porta que divide a cozinha pro quintal onde esta o Solitário, é de quadriculados de vidro, com aquelas divisões de ferro e massa, tipo durepox e não dá pra ver direito dentro. Acho que ela me vê e eu não a vejo.
Já ta se tornando uma tortura isso tudo.
Se eu ouvir o som do órgão eu pulo! Estou aqui pensando, confabulando...
Tenho que recupera-lo, pois minha reputação como vizinho iria por água a baixo se eles pegassem o Ganja e não aparecesse o dono.
(Tô loco pra ouvir o som do órgão)
Mais uma vez, retirei-me do local de observação.
Fui lá novamente, dessa vez determinado a salvar o Refém de dentro do quintal do vizinho.
Peguei um shorts cor-de-rosa da minha mama e coloquei-o no ombro determinado a pular.
A janela do quarto da criança e, ao lado, a sacada do quarto do bebê refletia. Assim, não deixando com que eu pudesse ver se a senhora me vigiava ou não.
Antes, eu havia subido na parte de cima aqui de casa e analisei o anfiteatro. Percebi que, anteriormente, eu havia feito um erro de metragem, dizendo que a distância da minha missão de resgate era de quatro metros e, na volta de cinco metros. Desconsidere amigo. Essa distância tem, aproximadamente, de sete a nove metros. Mas mesmo assim, eu já estava, definitivamente, certo da invasão.
Desci, foi ai que peguei o short de Francisca, minha mãe, coloqueio-o no ombro e subi no muro com a ajuda do canteiro que cerca as arvores e plantas do jardim. Respirei fundo, fechei os olhos (não nessa ordem), olhei pro Meu Amigo e pulei em direção do salvamento. Caminhei sereno, porém rápido. Disfarçadamente peguei-o do chão, ajeitei o short que quase caia do ombro e retornei pro pulo da volta. Olhei pra trás, tomei impulso frente ao muro, coloquei o cigarrinho na boca, e subi no muro. UFA!
Desci com o coração palpitante e o sorriso na face.
Após toda essa odisséia, sentei-me pra poder me estabilizar emocionalmente e respirar compassadamente. Percebi que no meu antebraço esquerdo havia ficado resquícios de toda a missão: escoriações seguidas de um pequeno hematoma, no qual, foram causados pelo apoio no muro ao tomar impulso pra subir no mesmo.
O homem, aparentando uns 41 anos, cabelos prateando as fontes, estatura mediana, toca violino, simpático, trabalha de dia. Sua mulher, com óculos na face, toca órgão, na faixa de uns 38 anos, sem brincos ou penduricalhos que lhe tire a beleza imaculada. Cuida da casa o dia todo.
Na parte de cima da minha casa, há uma sacada, onde, em baixo, situa-se o quintal da casa do casal. Um amplo quintal: comprido, estreitando no final como um pedaço de pizza, encontrando uma churrasqueira de alvenaria. -cujo aproveitávamos, quando a casa encontrava-se vazia, pra fazermos churrasco, bebermos cerveja, falarmos da vida alheia, de musica, arte, política e conversa fiada.
Pois bem, nessa sacada, na qual citei anteriormente estava eu, agora, dando um “tapa na pantera” e pensando na vida, na morte, dentre outros.
À minha frente a linha da Avenida Paulista sentido centro/oeste. Do meu lado direito a serra da Mantiqueira comprova o norte.
De repente a leveza proporcionada pelo principio ativo do Kaya fez com que eu derrubasse o bendito cigarro no quintal da casa!
A parte de baixo da minha casa é no nível do chão da deles, com muro de uns 1,58cm dividindo o quintal do jardim de minha “baia” (como dizem em POA). Fiquei debruçado nesse muro, por mais de 30 min pensando no que fazer. Entre mangueira, uma árvore de louro, bromélias, cannabis sativa, orquídeas, plantas de diversas espécies e formigas que trabalhavam, sem parar, carregando sua matéria orgânica para fim de cultivar fungos pra que possam se alimentar. Isso por cima de meus pés e braços.
A senhora não aparecia por nada pra que eu, com coragem, pudesse pedir-lhe o tal cigarro com a desculpa de que a criança maior dela poderia ver, pegar, pelo constrangimento, pelo respeito. Enfim, eu o queria de volta.
Logo, ela apareceu com o bebê recém nascido, que não parava de chorar a algum tempo, e colocou o carrinho com o menino ao lado do Banza, não me viu e entrou na cozinha. Andava de um lado a outro, e não me via debruçado no muro.
O sol situa-se bem a frente do meu rosto, em direção ao carrinho e a Massa. Saí do local desesperançado.
O bebê chorava. O carrinho já não se encontrava lá. A mulher fazia aqueles ruídos com a boca - jeitinho de falar com criancinha, pra acalmar o garotinho. O Refém continuava lá, gritando por socorro.
Já pensei em pular, mas não saberia onde colocar a cara se a mulher me pegasse dentro do quintal dela atrás de algo ilícito.
Se ela me visse, enquanto debruçado no muro olhando a criança com um ar puro e inocente, eu perguntaria:
- Oh senhora, como está grande o menino! Assim, iniciando uma conversa pra que a coragem de pedir viesse à tona.
Fiquei matutando a idéia de pular alegando uma roupa minha q havia caído, caso ela me flagrasse no quintal da casa dela.
Porém, encanei q a mulher me olhava de algum lugar onde eu não pudesse vê-la...
Logo, voltei ao debruçar no muro olhando em direção a porta da cozinha, com o mesmo sol na face que ainda não se abaixou suficiente e nada de aparecer ninguém.
O tempo que fiquei nessa observação teria dado tempo de pular, caminhar uns quatro, cinco metros e meio até o local do Desamparado, retornar mais uns sete metros, pois o muro fica menor no final do terreno em direção à churrasqueira, e voltar feliz e realizado com a façanha bem sucedida. Mas coragem me faltou, pois ela encontrava-se na parte de baixo da casa.
Quando, de repente, ela apareceu com um saco de lixo na mão. Eu já tava com a idéia de pular e pronto!
Foi quando ela voltou e fechou a porta. Senti um ar de que ela havia me visto olhando pra casa dela e, com medo, fechou a porta. Só pra aumentar minha encanação.
Saí de cena meio desesperado.
Voltei, pois eu não poderia desistir da missão.
Lá fui eu olhar de novo como anda a situação.
Penso em desistir do resgate. Pois, as horas vão passando a vida também...
A porta que divide a cozinha pro quintal onde esta o Solitário, é de quadriculados de vidro, com aquelas divisões de ferro e massa, tipo durepox e não dá pra ver direito dentro. Acho que ela me vê e eu não a vejo.
Já ta se tornando uma tortura isso tudo.
Se eu ouvir o som do órgão eu pulo! Estou aqui pensando, confabulando...
Tenho que recupera-lo, pois minha reputação como vizinho iria por água a baixo se eles pegassem o Ganja e não aparecesse o dono.
(Tô loco pra ouvir o som do órgão)
Mais uma vez, retirei-me do local de observação.
Fui lá novamente, dessa vez determinado a salvar o Refém de dentro do quintal do vizinho.
Peguei um shorts cor-de-rosa da minha mama e coloquei-o no ombro determinado a pular.
A janela do quarto da criança e, ao lado, a sacada do quarto do bebê refletia. Assim, não deixando com que eu pudesse ver se a senhora me vigiava ou não.
Antes, eu havia subido na parte de cima aqui de casa e analisei o anfiteatro. Percebi que, anteriormente, eu havia feito um erro de metragem, dizendo que a distância da minha missão de resgate era de quatro metros e, na volta de cinco metros. Desconsidere amigo. Essa distância tem, aproximadamente, de sete a nove metros. Mas mesmo assim, eu já estava, definitivamente, certo da invasão.
Desci, foi ai que peguei o short de Francisca, minha mãe, coloqueio-o no ombro e subi no muro com a ajuda do canteiro que cerca as arvores e plantas do jardim. Respirei fundo, fechei os olhos (não nessa ordem), olhei pro Meu Amigo e pulei em direção do salvamento. Caminhei sereno, porém rápido. Disfarçadamente peguei-o do chão, ajeitei o short que quase caia do ombro e retornei pro pulo da volta. Olhei pra trás, tomei impulso frente ao muro, coloquei o cigarrinho na boca, e subi no muro. UFA!
Desci com o coração palpitante e o sorriso na face.
Após toda essa odisséia, sentei-me pra poder me estabilizar emocionalmente e respirar compassadamente. Percebi que no meu antebraço esquerdo havia ficado resquícios de toda a missão: escoriações seguidas de um pequeno hematoma, no qual, foram causados pelo apoio no muro ao tomar impulso pra subir no mesmo.
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